Durante longos dias eu evitei escrever, tentei manter todos os sentimentos e toda a dor dentro de mim. Mas não havia apenas isso, haviam as vozes também. E elas se alimentavam de tudo aquilo que eu mantive por dentro essas semanas, cada vez mais fortes, eu as escutava em alto e bom tom. Elas me pediam mais, muito mais. Eu havia alimentado as feras e se as deixasse com fome, elas me comeriam viva. E então eu me machuco, tiro cada pedaço de mim para dar à elas. Eu criava mais tristeza apenas para servir de alimento para as feras, e estava transformando elas em minhas amigas, me tornando também em uma delas e me alimentando daqueles sentimentos ruins. Então decidi caminhar sozinha, e deixar aquelas feras morrerem de fome dentro de mim. Apenas eu poderia me alimentar da minha tristeza, embora eu também quisesse morrer de fome. Eu queria me alimentar apenas do sol, sem expectativas e sem caídas. Quero ficar com os pés no chão, na minha loucura. Às vezes, eu questiono minha sanidade. Ocasionalmente, ela me responde.
Fiquei muito tempo sem postar aqui, sem palavras. Presentes na minha mente, mas tímidas, sem sair para o "papel". Passei muito tempo calada, ouvindo o ecoar da minha própria mente. Talvez eu esperasse uma mudança, esperasse aquele clímax que toda história tem. O problema desse enredo, é que a autora se ausentou, deixando a protagonista sem histórias para contar. Mas ela acordou. Ah, e como acordou.
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